quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Acordolhar, de novo sô!!

Alguém já ouviu que a vacafoiprobrejo??

 Lá vai o boi cacorda... né pussive que ocê num entendeu nadica de nada. 


Isto é o mais puro mineirês, língua que falamos quando não pensamos no que seria o certo falar. Simplesmente falamos com o coração mineiro, uai.

Eu convido alguém supostamente muito culto pra bater um dedin de prosa com um mineiro de verdade, moiá o bico com cafezin, cumê uma broinha, um paõzindiquejo, um bolin de fubá, tomá leitin no curral, fumá um paiol pra espantá as muriçoca. 

Eh!! lasqueira, o cara vai ficá encasquetado, vai querê dá patráis, quebrá a mandioca, vazá na braquiária. 

Eu vou entender a língua dele e ela não vai entendê nem um cadiquim do que eu falo. Vai sê bão pra danar sô. 

Ele pode até querê remedá nóis e num vai consegui. Tadin dele sô.

Este trem de terminar as palavras com r é muito complicado pros mineiro, pra quê encompridá tanto a prosa né?

 Nóis come quase todos os sss e os rrr do final das palavra e acabô, certin?

 Mas quando nóis qué, nois fala um r comprido, tipo corrrrrrrrrrrrda, porrrrrrrrrrrta, verrrrrrrrrrrmde.

Quem não é mineiro deve de tá pensando: que muntueira de palavra é essa? 
Eu digo: népussivi, eles num entendeu nadica de nada.

 Deve de que num teve a chance de convivê com um mineiro uai!! 

Neémezzz, nunguêntoisso achar que mineiro é bobo, nuncredito.

Quando alguém me pergunta: oncêmora?

 Eu respondo nóis mora no mein do Brasil, um estado lindo, chein de lugar diferente, montanha e cerrado, gado, cana e minério. Mas com umas estrada ruim de daná.

 Óprocêvê, nóis num tem mar, mas num faiz falta, nois usa o mar dos otro uai!!

 Quêcêqué, num dá pra tê tudo na vida né?

Ei, mineiro, pó pará de ri, prestenção no que ocê falá e verá que ocê é igualin que nem todos os outros mineiro, tá?

 Vou pará de azucriná ocê, vou picá a mula, deitar o cabelo de volta pro português correto.

 Mas o que é correto? Sei lá, sô!


(*) Médica mineira, oftalmologista

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