terça-feira, 20 de outubro de 2015

Acordolhar 10

Acordolhar 10
publicado no Jornal da manhã Uberaba
Gentileza gera gentileza, já dizia o poeta de rua.
Lembro-me bem das bases dos elevados perto da rodoviária no Rio de Janeiro, todas escritas com poesias dele, e eu nunca dei importância. Mas elas traziam mensagens de gentileza e bondade.
Naquele tempo eu não tinha acordado meu olhar ainda. E vivíamos em plena ditadura; o que será que é ditadura não sei bem. Até hoje me pergunto quem são os reais ditadores.
Tantos anos já se passaram, e agora consigo ver coisas que não enxergava; parece que ao envelhecermos tomamos consciência do valor do tempo.
A pressa das horas nos faz perder sorrisos, eis a parte mais triste da vida. Quem perde sorriso perde luz, o olhar fica sem cor.
A luta é contra nós mesmos, temos que aprender a nos amar, nos cuidar; temos que encontrar tempo para gentilezas conosco e com os outros.
Temos que acordar o nosso olhar.
Num mundo tão confuso, com tanta inversão de valores, ficamos perdidos, sem saber o valor real das coisas. Tudo gira em torno de dinheiro, mas tudo que pode ser comprado é barato. Caras são coisas que o dinheiro não pode pagar; gentileza é uma delas.
Gentileza no trânsito conserva vidas.
Nada abre mais portas do que um sorriso, nem precisa falar a mesma língua, basta sorrir para que muitas portas se abram.
Tem momentos que vejo sorrisos falsos e fico pensando como alguém acredita neles e em suas promessas políticas falsas. Como existe gente que tem a coragem de prometer mentiras. Uma total falta de gentileza com trabalhadores que estão perdendo os empregos, com pessoas que precisam de escolas e de atendimento de saúde. Contam estórias irreais e acreditam nas próprias mentiras.
Se tivéssemos um governo gentil, com sorrisos sinceros e desejos de só usar o dinheiro público em prol da população, como seria uma maravilha este país. Sem interesses econômicos sujos, sem desvios, sem corrupção... Que perfeição!
Não tenho muito mais tempo; não vou viver mais 50 anos; provavelmente não vou mais ver as poesias nos elevados, mas gostaria de deixar um lugar decente e uma profissão valorizada e respeitada para as minhas filhas viverem. Gostaria de ver o país ser governado com gentileza pura e sem interesses, bonito e suave, como nas falsas propagandas eleitorais. Desejo um país livre, sem ditaduras de esquerda ou direita, um país que só quer ir pra frente, apesar de ser comandado por um cabo de guerra. Onde interesses econômicos comandam as pontas.
Temos que cobrar gentileza com nossos impostos; eles estão metendo a mão sem dó. E depois falam que não sabiam de nada...
O profeta gentileza pregava justiça, que seja feita uma gentil justiça.
(*) Médica oftalmologista

domingo, 18 de outubro de 2015

Acordolhar 8

Acordolhar 8

artigo publicado no Jornal da Manhã Uberaba

Acordei meu olhar hoje com sentimento de viver em um mundo estranho demais. Cenas de famílias inteiras fugindo de regiões de guerras e ditaduras, por terra ou mar, por onde der para fugir do inferno, eles fogem.


Meu olhar perdeu a cor, o brilho e a esperança de dias melhores.


Fiquei pensando em quantos países exportam e ganham muito dinheiro com armas de guerra, feitas para matar seres humanos!!! Que dinheiro amaldiçoado, penso eu. Depois que os países em guerra compram e usam estas armas, restam aos sobreviventes virarem refugiados. O que fazer destes seres humanos? Nas cabeças dos dirigentes de países poderosos o jeito é deixá-los morrer à míngua, já que teimosamente não morreram nos conflitos.


Os habitantes de países que vendem armas, vivem numa realidade irrealmente maravilhosa, acham que são os seres humanos mais evoluídos do mundo, imaginam que gente que mora em áreas de conflito são seres de segunda classe. Famílias inteiras fugindo, perderam suas casas, seus empregos, procuram refúgio em lugares sem guerra, e o que encontam? Paredes de arame e guardas bem armados, Oh! não guardas armados de novo não!! Já não bastavam o exército ou milícias em seu países de origem.


O leitor que mora no Brasil deve estar pensando, o que nós temos com isto? A maioria das famílias veio da Europa, Ásia e Oriente Médio fugindo de guerras. E cá estamos nós, num país sem guerras, ou melhor conflitos armados. Mas com total destruição da economia planejada por políticos corruptos e mal intencionados, que a título de nos conduzir à democracia, estão destruindo nosso país.E tem que os ache honestos e corretos...que lástima.


Acordolhar tenta acordar o olhar para todos os seres humanos que estão sofrendo. Em alguns casos só nos resta orar, rezar, pedir á Deus que ilumine a cabeça dos dirigentes e da população, para que os ampare e que nos ampare também.

 
Triste é saber que tem quem ganhe muito dinheiro com venda de armas. Por aqui tantos ganham dinheiro desviando dinheiro de hospitais e escolas....que tristeza. 


Estou realmente com olhar entristecido para o nosso país, nosso planeta. Qual a razão, quais interesses levam um grupo de seres humanos a planejar destruir outros? Quem vota num candidato não imagina que esteja votando num monstro, pois as propagandas são lindas e perfeitas.Os interesses econômicos suplantam a humanidade, a caridade e a responsabilidade. 


Os políticos que estimulam as guerras e os que rechaçam refugiados são tão cruéis quanto os que roubam descaradamente o dinheiro público e depois deixam a população carente na penúria e no desemprego. Mas gastam fortunas com mordomias e propagandas enganosas divulgando mentiras.


Existem muitos seres desumanos ganhando muito com a desgraça de outros seres humanos, que horror.

Esther Luisa Hercos Fatureto, médica oftalmolo
gista.

Acordolhar 7

Acordolhar 7

artigo publicado no Jornal da Manhã Uberaba

Hoje Acordolhar vai mergulhar num tema triste: a Inveja.
A sombria Inveja.
Na vida existem situações diferentes, umas pessoas têm oportunidades e as aproveitam. Outras não  aproveitam, enquanto outras não têm oportunidades, mas as criam.
Quase tudo é uma questão de escolhas, e como elas são difíceis.
Conviver com as escolhas é a parte mais desafiante da vida. Acordar o olhar pra escolhermos bem nossos caminhos é o segredo de quase tudo.
O destino brinca com a gente, tenta nos enganar com promessas mirabolantes, com seduções irresponsáveis, o velho canto da sereia. Temos que abrir bem os olhos e escolher o que queremos na nossa vida. Depois de fazermos nossas escolhas temos que conviver com elas, neste momento começam as crises de inveja.
Quando acordamos nossos olhares e enxergamos as escolhas erradas que fizemos, começamos a observar as outras pessoas e vemos que nossos caminhos poderiam ter sido diferentes.Temos que nos segurar para não sentirmos inveja, sentimento horrível que nos queima por dentro. Neste momento temos que domar nossos pensamentos e mudarmos o rumo de nossas vidas.Lágrimas de inveja virarão sorrisos e nossos sonhos vão se tornando realidade.
Ninguém está livre da inveja, ela vem sem percebermos, ela vai queimando nossa capacidade de lutar. Nesta hora temos que abrir os olhos, dar cor aos nossos olhares pra mudarmos o rumo das nossas velas da vida.
O destino está em nossas mãos, se um dia fizemos escolhas erradas, podemos tentar refazer os planos.
Ninguém consegue apagar o brilho de outra pessoa, a inveja destrói o invejoso e joga energia ruim para o universo.
Existe uma lei implacável, tudo que irradiamos, um dia receberemos de volta. Então vamos irradiar paz, felicidade e sucesso, assim tudo de bom voltará para nós, com certeza.
​Tudo o que a vida faz é retribuir o que oferecemos.
Esther Luisa Hercos Fatureto, médica oftalmologista.